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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O cupido que viu o amor nascer


Era uma noite fria de verão, eu voava como qualquer cupido em busca de faíscas que pudessem se tornar chamas de amor. Depois de uma ronda sem sucesso, resolvi abusar da minha invisibilidade entre os humanos e desci no ponto de ônibus , onde um suposto inicio de romance me chamou atenção.



- Gosto de música que me faça ter alguma conexão com a natureza ou espirito. Sei que pode parecer meio doido da minha parte , mas são esses critérios que uso para montar a minha playlist - Disse uma rapaz alto de cabelos longos com olhar penetrante que usava uma camisa "I Love Rock" para a moça que acabou de conhecer no ponto de ônibus.

 Pude apostar que ela não entendia nada que aquele rapaz falava , mas sei que fazia questão de mostrar-se interessada, não pelo papo, mas por ele. Um jovem estudante roqueiro e misterioso. Qualidades perfeitas para uma moça sozinha, delicada e encantadora.

- Você disse que sente-se sozinha e assim como você eu também saí de casa hoje para relaxar a mente, acredito que isso não foi em vão, o destino nos uniu.

Eu quase dei gargalhadas com aquela merda toda de destino. Soou tão misterioso, o que encantou a moça que sorria para ele, enquanto eu ria dos dois e de todo aquele clichê do "destino nos uniu". Francamente...

- Tem razão - Disse ela colocando uma mecha dos cabelos atrás da orelha - Eu senti uma energia positiva quando te vi e por isso puxei assunto contigo.

Adoro essa modernidade das mulheres agora tomar iniciativas, mas não precisava ser cupido para saber que o que ela tinha acabado de falar era uma nova historia que inventava sobre si. Somente o rapaz roqueiro acreditava, até porque ele queria acreditar.

A brisa passou levando as folhas secas do chão, o tempo parecia ter parado para os dois e o rapaz olhou para ela profundamente e ela para ele encantadoramente. Foi aí que pude ver o que aqueles olhos masculinos falavam, o roqueiro também não era quem dizia ser. Os dois eram inseguros e carentes. 

Esse casal que se formaria , seria desequilibrado, dois traidores juntos que se perderiam no meio de tantas brigas e eu me recusei a juntá-los. Não queria receber reclamações da chefia por não ter feito um bom trabalho. Se eles nem bem sabem ser sinceros uns com os outros, jamais saberão namorar.

Uma mulher se aproximava com os saltos ecoando no chão, ela era segura, determinada. Sei que foi maldade da minha parte mexer no destino, mas tive que por uma pedra na frente do seu sapato e quando ela tropeçou, caindo nos braços do roqueiro eu atirei minha flecha. BINGO! Um belo casal formado.

A moça que havia sido trocada por outra , subiu no seu ônibus sem entender, o seu medo de ficar sozinha gritava e então eu resolvi segui-la. Sentou-se no banco no meio do veículo, eu senti um cheiro de boa coisa até que notei o melhor rapaz que ela poderia ter, sentado na cadeira a frente. 


Ela continuava chorando e eu fiz sua bolsa cair a ponto da sua carteira deslizar pelo ônibus e parar bem a frente do rapaz. Quando ela ficou próxima dele na tentativa de pegar o objeto de couro que guardavam seu dinheiro e documentos, o ônibus freou a ponto dela cair no colo daquele homem e eu não precisei flechar ninguém, pois ali naquela troca de olhares o amor tinha nascido. 

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