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quarta-feira, 30 de março de 2016

O meu aniversário


Vidro sobre a pele, escândalo na mente. Eu queria me rasgar quando senti que iniciava mais um ciclo. A nova idade chegou no último dia 29, mas me recusei a acreditar, tudo foi tão rápido, mudou tão depressa e saiu que nem areia se perdendo no vento. Talvez eu gritasse mais alto ao invés de falar, mas não adianta ser assim, tão calmo quando na verdade ninguém pode ajudar ou perceber esta mudança louca que se perde nas veias, escorre nos olhos e transpira na pele quente e calejada das batalhas.




Tudo começou naquele fim de novembro, era muito para meu corpo frágil suportar, segurei como quem segura o mundo e senti este mundo passar por cima de mim, me esmagando. Derreti em lágrimas tentando alcançar um alívio na alma, mas era em vão, conforme o tempo passava mais dor, mais medo. Por tantos dias me perguntei se era possível desistir e  mesmo sem saber a resposta continuei, com o coração em pedaços e pés calejados.

 Em dezembro, encontrei um pouco de conforto, nova criatura,  grandes amigos, mas o espirito ainda estava perdido lá naquele dia 14, naquele verão frio que perturbava a minha mente. Você sabe, eu não estava bem, deixei várias pistas nos textos  que minha alma escrevia. Tentei ser forte, mas acabei deixando toda aquela beleza e dons que eu tinha conquistado no mês de agosto. Foi em uma sala gelada e um olhar que me mandava embora e rabiscava meu documento, me devolvendo a batalha que percebi que estava mais perdido que qualquer outra coisa. 




Passei dias fingindo sorrisos, dizendo a mim mesmo que estava tudo bem, quando na verdade nada parecia bem a muito tempo. Perdi a fé, voei sobre o chão até que em uma noite longa, encontrei um porto seguro. Era acolhedor, mas enquanto me abraçava sua voz me humilhava e me fazia pensar por muitas vezes que eu não era nada, e o "todo especial que sou" que escutei inúmeras vezes naquele novembro, não parecia existir mais sobre a ponte do porto seguro que me acolhia.

Juntos choramos, vivemos, morremos todos os dias, mas a cada hora temos um recomeço. Dividimos alegrias no escuro. Temos a mesma pele rasgada e a mesma amiga em comum, a morte. Eu me derramo na ponte e a ponte me leva a lugares terríveis, ela anda e agora me ensinou a voar enquanto estou jogado no chão, sem sentir nenhuma parte do corpo. Mas ela tem mistérios, uns que já conheci, outros que surgem do nada.


É a ponte que quero agradecer pela pessoa que sou hoje, agradeço pelos meus 21 anos e por ter sentido o fogo de aries me consumir novamente. O novembro voltou algumas vezes, agora ele pede pra fazer parte da minha vida, mas quando penso na ponte e o quanto ela me protegeu dos meus medos, afasto o  verão frio e bebo mais um pouco da liberdade. Agora mesmo sem ser livre eu amo ser acorrentado. Tenho medo da brisa que ameaça de longe, ela pode destruir minha ponte. 

Não sei do que seria capaz pra proteger meu porto seguro, as vezes ele tem medo de eu não saber voar. Sei que me ensina a viver no meio dos homens e por mais magoado que me deixes compreendo que a ponte me adotou, ela me ama e eu a amo, e mesmo que queira me deixar livre eu jamais a deixaria.



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