Lembra quando saíamos da escola ? A nossa tarde era tão louca e sem responsabilidade, fazíamos vaquinha para comprar refrigerante e a maior esfirra que a padaria pudesse vender. No caminho andávamos sobre os trilhos do trem, que surgia de hora e hora e eu me sentia um fora da lei, mal sabendo minha pessoa, que não estava nem perto da sua rebeldia. Eram passos apressados e gargalhadas espalhafatosas, sua energia me contagiava e minha inocência te intrigava, lembro do quanto me chamou de careta por não te acompanhar nos goles das cervejas que você costumava roubar da sua avó. Mas sempre depois de cada briga, cada riso parávamos em um único lugar, para passar o tempo. Debaixo da árvore mais linda.
Deitávamos na grama de um terreno afastado do centro da cidade, e costumávamos observar os raios de sol passando sobre as folhas verdes da árvore na qual gravamos nossos nomes. Era muito lindo, a brisa batia no rosto e riamos de coisas bobas que as crianças costumam rir, mas você não queria ser a criança que eu era, enquanto eu procurava formas engraçadas nas nuvens, você continuava bebendo as cervejas da sua avó e insistia em me oferecê-las, eu como de sempre, neguei todas as vezes. E novamente mais uma briga para marcar todos os nossos dias juntos. Por que não entendia que eu detestava álcool?
O bom disso era que no fim sempre terminava em uma abraço. Lembra do nosso primeiro beijo na grama? Era meio louco, pois tínhamos medo de como seria tirar o BV (boca virgem) e só precisamos encostar nossos lábios que tudo começou a fazer sentido, você tinha gosto de pirulito de morango com cerveja e no meio dos carinhos, sua mãe nos pegou no flagra, ela tinha nos seguido. Depois daquele dia, nunca mais nos encontramos.
Sei que eu era muito novo para entender o quão grande era o nosso amor e o quanto combinávamos juntos, tipo fogo e água, céu e terra, você completava o que não precisava ser preenchido em mim, mesmo assim eu sabia que tinha marcado minha vida que só estava no início. Aquela árvore não era mais tão bonita quanto eu achava e não fazia sentido deitar na grama e observar os raios de sol encostar nas folhas, se você não estava mais ali comigo.
Senti sua falta na sala de aula e logo depois descobri que tinha pedido transferência para um colégio na cidade vizinha, eu chorei e até pensei em dizer duas ou três para a sua mãe que tinha trazido a infelicidade a tona para meu corpo frágil, mas depois te culpei por não ter usado toda a sua rebeldia para lutar por nosso amor. Mesmo eu sendo tão novo já sentia a dor de um adulto, ela vinha da alma e a saudade me machucava tanto, mas um dia essa dor dormiu, porém continuei te amando.
Ontem uma amiga me contou que você estava na cidade, após cinco anos, passando as férias da faculdade, pena que jamais lerá esse texto, que está em mais um diário que se inicia depois de tantos outros, onde o principal assunto era você.
Será que ainda continua me amando?
Foto: Jones Storm
Foto: Jones Storm





Lindo texto =)
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Obrigado Aleks:D
ExcluirMega abraço!